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Probióticos na cura de doenças

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Postado em 28/03/2009 às 10:00:00 por Carlos de Carvalho

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Probióticos na cura de doenças



Os probióticos eram classicamente definidos como suplementos alimentares à base de microrganismos vivos, que afetam beneficamente o animal hospedeiro, promovendo o balanço de sua micro biota intestinal (Fuller, 1989).

Diversas outras definições de probióticos foram publicadas nos últimos anos (Sanders, 2003). Entretanto, a definição atualmente aceita internacionalmente é que eles são microrganismos vivos, administrados em quantidades adequadas, que conferem benefícios à saúde do hospedeiro (Food and Agriculture Organization of United Nations; World Health Organization, 2001; Sanders, 2003).

A influência benéfica dos probióticos sobre os microbiotas intestinais humana inclui fatores como efeitos antagônicos, competição e efeitos imunológicos, resultando em um aumento da resistência contra patógenos. Assim, a utilização de culturas bacterianas probióticas estimula a multiplicação de bactérias benéficas, em detrimento à proliferação de bactérias potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro (Puupponen-Pimiä et al., 2002). Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro, por estimularem seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon.

Adicionalmente, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, garantindo benefícios adicionais à saúde do hospedeiro. Esses componentes atuam mais freqüentemente no intestino grosso, embora eles possam ter também algum impacto sobre os microrganismos do intestino delgado (Gibson, Roberfroid, 1995; Roberfroid, 2001; Gilliland, 2001; Mattila-Sandholm et al., 2002). Um produto referido como simbiótico é aquele no qual um probiótico e um prebiótico estão combinados. A interação entre o probiótico e o prebiótico in vivo pode ser favorecida por uma adaptação do probiótico ao substrato prebiótico anterior ao consumo.

Isto pode, em alguns casos, resultar em uma vantagem competitiva para o probiótico, se ele for consumido juntamente com o prebiótico. Alternativamente, esse efeito simbiótico pode ser direcionado às diferentes regiões "alvo" do trato gastrintestinal, os intestinos delgado e grosso.

O consumo de probióticos e de prebióticos selecionados apropriadamente pode aumentar os efeitos benéficos de cada um deles, uma vez que o estímulo de cepas probióticas conhecidas leva à escolha dos pares simbióticos substratos microrganismo ideais (Holzapfel, Schillinger, 2002; Puupponen-Pimiä et al., 2002; Mattila-Sandholm et al., 2002; Bielecka, Biedrzyck, Majkowska, 2002).

Os termos microflora intestinal se referem a uma comunidade de microorganismos vivos reunidos em um nicho ecológico específico de um indivíduo hospedeiro. Os intestinos humanos são o habitat natural de uma grande, diversificada e dinâmica população de microorganismos que através de milênios adaptaram-se à vida nas superfícies mucosas ou no lúmen. O número de bactérias residentes aumenta ao longo do intestino delgado, jejuno até o conteúdo intestinal no final do íleo. Já o intestino grosso é a cavidade mais densamente populosa, onde diversas centenas de gamas de bactérias se abrigam em densidades de impressionante de aproximadamente 10¹² bactérias/g de fezes. Na verdade são trilhões de bactérias.

Nosso conhecimento atual sobre a composição microbiana do ecossistema intestinal, tanto saudável quanto enfermo, ainda é muito limitado. Estudos utilizando técnicas clássicas de cultura microbiológica podem somente recuperar uma fração mínima de bactérias fecais. Mais de 50% das células bacterianas que são submetidas ao exame microscópico de espécimes fecais não podem ser criadas em culturas. Técnicas de biologia molecular baseadas na diversidade seqüencial do genoma bacteriano são utilizadas para caracterizar bactérias não cultiváveis. Estudos moleculares na flora fecal demonstraram que somente 7 das 55 divisões do ramo “bactéria” são detectadas no ecossistema intestinal humano, e destes, 3 divisões bacterianas dominam, isto é, Bacteroidetes, Firmicutes e Actinobactérias.

Entretanto, em nível de espécies e linhagens, a diversidade microbiana entre indivíduos é altamente notável, a tal ponto que cada indivíduo abriga sua configuração específica de composição bacteriana. Por outro lado, estudos comparando animais criados em condições livres de germes com seus congêneres criados convencionalmente demonstraram claramente o importante impacto de bactérias residentes na fisiologia do hospedeiro.

A interação entre as bactérias intestinais e seu hospedeiro é uma relação simbiótica mutuamente benéfica para ambas as partes. O hospedeiro prove um habitat rico em nutrientes e as bactérias conferem importantes benefícios ao hospedeiro. Funções da microflora incluem nutrição fermentação de substratos não digestíveis que resultam na produção de ácidos graxos de cadeia curta, absorção de íons, produção de aminoácidos e vitaminas, proteção com o efeito barreira que previne contra invasão de micróbios estranhos, e efeitos de troficidade no epitélio intestinal e no sistema imunológico como o desenvolvimento e homeostase de imunidade local e sistêmica.

Animais criados em um ambiente livre de germes mostram baixa densidade de células linfóides na mucosa intestinal e baixos níveis de soro imunoglobulina. Exposição a micróbios comensais expande rapidamente o número de linfócitos da mucosa e aumenta o tamanho de centros germinais em folículos linfóides. Células produtoras de imunoglobulina aparecem na lamina própria, e existe um significativo aumento dos níveis de soro imunoglobulina.

Mais interessante ainda, recentes descobertas sugerem que alguns comensais têm um papel importante na produção de células T reguladoras em folículos linfóides do intestino. Trajetos reguladores mediados por células T reguladoras são mecanismos homeostáticos essenciais pelos quais o hospedeiro pode tolerar a carga maciça de antígenos inócuos através do intestino ou de outras superfícies do corpo sem responder por meio de inflamação. A simbiose entre o macrobiota e o hospedeiro pode ser otimizada por intervenção farmacológica ou nutricional com probióticos.

Bactérias conhecidas por prover benefícios específicos à saúde do hospedeiro podem ser usadas para consumo como um componente alimentar ou na forma de preparados específicos de microorganismos viáveis. Estas bactérias são denominadas “probióticos”. O termo foi originalmente proposto em 1954 para denominar “substâncias ativas que são essenciais para um desenvolvimento saudável da vida”, em oposição aos antibióticos. Em um artigo científico publicado em Science, Lilly e Stillwell descreveram probióticos como substâncias secretadas por microorganismos que estimulam o crescimento de outro organismo.

O termo foi principalmente aplicado a suplementos alimentar animais especificamente concebidos para melhorar a saúde. Em 1989, Fuller descreveu probióticos como “suplementos alimentares com micróbios vivos que afetam beneficamente o animal hospedeiro por melhorar seu equilíbrio microbiano intestinal”. Esta definição enfatizou a importância de células microbianas viáveis como um requisito essencial, e a melhora do equilíbrio microbiano intestinal como o mecanismo de ação. Ele sugeriu que o conceito fosse também aplicável à nutrição humana e à medicina.

Em anos recentes, a Joint FAO/WHO Expert Consultation definiu probióticos como “microorganismos vivos que quando ministrados em quantidades adequadas conferem um benefício à saúde do hospedeiro”. Esta definição foi adotada pela Associação Científica Internacional para Pro bióticos e Prebióticos. Pro bióticos foram estudados tanto para aplicações em humanos quanto em animais, e pesquisa mundial sobre este tema foi intensificada em anos recentes.

Diversos artigos recentes revisaram a literatura sobre probióticos, descrevendo como os mesmos trabalham em ecossistemas humanos e delinearam o impacto de probióticos na saúde humana e doenças para condições específicas.

Estas pesquisas científicas também discorreram sobre questões de segurança no uso de probióticos, desenvolvimento de probióticos, recomendações sobre probióticos, pesquisas sobre probióticos e as políticas a serem adotadas sobre probióticos. No que se refere a aplicações específicas em Gastroenterologia, o Cochrane Database of Systematic Reviews incluiu 7 revisões completas em junho de 2007. Além disso, o Cochrane Central Register of Controlled Trials listou 90 estudos em humanos que testaram a eficácia probiótica em diferentes condições gastrenterológicas.






FONTE: ABRAN

 
 
 
 
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