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Deficiência de vitamina B1

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Postado em 07/04/2009 às 10:00:00 por Carlos de Carvalho

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Deficiência de vitamina B1



A vitamina B1 (tiamina) é essencial para certo número de reações que implicam enzimas, incluindo as que intervêm na obtenção de energia a partir da glicose. Boas fontes desta vitamina são a levedura, a carne de porco, os legumes e os cereais integrais. Pode-se verificar uma deficiência de vitamina B1 quando estes alimentos estão ausentes da dieta. Quando se mói o arroz para extrair a casca (polido), perdem-se praticamente todas as vitaminas. Os Asiáticos correm o risco de deficiência de vitamina B1 porque a sua alimentação consiste principalmente em arroz polido. Contudo, ferver o arroz antes de lhe tirar a casca faz com a vitamina que se dissemine por todas as partes do grão, preservando-a e conservando todas as suas propriedades.

Esta carência também pode ser o resultado de uma redução da absorção provocada por diarréia crônica ou por um aumento na necessidade de vitamina causado por situações tais como o hipertireoidismo, a gravidez ou a febre. As pessoas que sofrem de alcoolismo grave substituem o alimento por álcool, reduzindo desse modo o consumo de todas as vitaminas, incluindo a B1. Por conseguinte, essas pessoas correm o risco de desenvolver perturbações de deficiência nutricional.

Sintomas e tratamento

Os sintomas iniciais manifestam-se sob a forma de cansaço, irritabilidade, perda da memória e do apetite, perturbações do sono, mal-estar abdominal e perda de peso. Finalmente, pode produzir-se uma carência importante de vitamina B1 (beribéri) caracterizada por alterações nervosas, cerebrais e cardíacas. Em todas as formas de beribéri altera-se o metabolismo dos glóbulos vermelhos e reduzem-se de maneira pronunciada os valores de vitamina B1 no sangue e na urina.

As alterações nervosas (beribéri seco) começam com uma sensação de picadas (formigueiro) nos dedos dos pés, uma sensação de ardor nos pés especialmente intensa durante a noite, cãibras musculares na barriga das pernas e dor nas pernas e nos pés. Quando a pessoa tem também deficiência de ácido pantatênico, os sintomas podem agravar-se. Os músculos da barriga das pernas podem enfraquecer. Endireitar-se se converte numa manobra difícil e diminui a sensibilidade às vibrações dos dedos dos pés. Em alguns casos, os músculos da coxa e da barriga das pernas podem diminuir de tamanho (atrofia) e surgem pés e dedos dos pés pendentes (alterações em que o pé ou os dedos dos pés pendem flácidos e não se conseguem levantar) porque os nervos e os músculos não funcionam apropriadamente. Pode também aparecer a mão pendente.

As alterações cerebrais [a síndrome de Wernicke-Korsakoff (Ver secção 6, capítulo 75) ou beribéri cerebral] são muitas vezes o resultado de uma deficiência repentina e grave de vitamina B1 que se instaura sobre uma deficiência crônica já existente e que pode ser causada por uma ingestão excessiva de álcool ou por vômitos abundantes durante a gravidez. Os sintomas precoces de beribéri cerebral compreendem confusão mental, laringite e visão dupla. Posteriormente, o doente pode sofrer uma alteração do comportamento e inventar fatos e experiências (fabulação) para preencher as lacunas da memória. Se a encefalopatia de Wernicke não for tratada (uma parte da síndrome de Wernicke-Korsakoff), os sintomas podem agravar-se, causando um estado de coma e até a morte. Trata-se de uma urgência médica cujo tratamento consiste na administração durante vários dias de vitamina B1 por via endovenosa em doses 100 vezes superiores à quantidade diária recomendada, seguida da administração por via oral da vitamina em doses de 10 vezes a quantidade diária recomendada até que os sintomas desapareçam. A recuperação é muitas vezes incompleta porque pode ocasionar certo grau de lesão cerebral irreversível.

As alterações cardíacas (beribéri úmido) caracterizam-se por um aumento do volume de sangue expulso pelo coração, uma freqüência cardíaca rápida e a dilatação dos vasos sanguíneos, fazendo com que a pele fique quente e úmida. Devido à carência de vitamina B1, o coração não pode manter este elevado volume de débito cardíaco e produz-se insuficiência cardíaca (Ver secção 3, capítulo 17) com distensão venosa, dispnéia e retenção de líquidos nos pulmões e nos tecidos periféricos. O tratamento consiste na administração de vitamina B1 por via endovenosa numa dose 20 vezes superior à quantidade diária recomendada, durante 2 ou 3 dias, seguida da administração da vitamina por via oral.

O beribéri infantil surge nos lactentes amamentados por uma mãe com deficiência de vitamina B1. Esta doença caracteriza-se por insuficiência cardíaca, afonia e lesões dos nervos periféricos, caracteristicamente entre os dois e os quatro meses de vida. As alterações cardíacas em geral resolvem-se rápida e completamente quando são tratadas com vitamina B1.

FONTE: Manual Merck







 
 
 
 
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