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Quedas e fraturas entre os idosos

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Postado em 13/04/2009 às 10:00:00 por Carlos de Carvalho

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Quedas e fraturas entre os idosos



As quedas entre pessoas idosas constituem um dos principais problemas clínicos e de saúde pública devido à sua alta incidência, às consequentes complicações para a saúde e aos altos custos assistenciais. Aproximadamente 30% das pessoas de 65 anos ou mais caem pelo menos uma vez a cada ano.

As conseqüências das quedas para os idosos podem ser bastante limitadoras e, em alguns casos, até fatais. Os principais problemas decorrentes são as fraturas, lesões na cabeça, ferimentos graves, ansiedade, depressão, o chamado "medo de cair" (medo de subsequentes quedas), que também pode acometer idosos que nunca caíram.

Além disso, a incapacidade de se levantar sozinho após um episódio de queda, levando a um longo tempo de permanência caído no chão, pode trazer ainda problemas físicos e psicológicos, incluindo desidratação, pneumonia, escaras e o medo de outras quedas. Este medo, quando muito intenso, pode gerar isolamento social, imobilidade e necessidade de internação. A tendência para cair pode diminuir o nível de confiança das pessoas idosas, reduzindo o número de atividades, o que resulta num isolamento geográfico e social, além do aumento da dependência.

A queda e suas conseqüências podem ter, para o idoso, a conotação de declínio da saúde, da competência e da capacidade de manter a independência, levando a sentimentos de fragilidade, insegurança, vulnerabilidade e perda de controle.

Nos EUA, as lesões não intencionais são a sexta causa de morte entre pessoas com 65 anos ou mais, sendo que aproximadamente metade dessas mortes são atribuídas a quedas, especialmente entre pessoas de 85 anos de idade e mais.

No ano subseqüente à queda, os pacientes apresentam um excesso de mortalidade em relação aos idosos que não caíram, sendo que em pacientes hospitalizados por queda, 50% morrem no ano seguinte (Rocha & Cunha, 1994).

As quedas, além de produzirem uma importante perda de autonomia e qualidade de vida entre os idosos, podem ainda repercutir entre os seus cuidadores, principalmente os familiares, que devem se mobilizar em torno de cuidados especiais, adaptando toda a rotina em função da recuperação ou adaptação após a queda. Essas pessoas também podem desenvolver ansiedade relacionada ao medo de que o idoso caia novamente, tornando-se superprotetoras, restringindo a autonomia do mesmo. As quedas podem contribuir, inclusive, para um aumento no número de internações em asilos.

Os gastos públicos com atendimento e assistência aos idosos que sofrem queda são altos, e se distribuem principalmente entre atendimentos de emergência e internação (com duração média de 11,6 dias nos Estados Unidos).

No Brasil, foi realizado um estudo (Pinheiro, 1999) sobre as internações de pacientes com diagnóstico principal de fratura de colo de fêmur (total de 1870 internações), nos hospitais credenciados pelo SUS da cidade do Rio de Janeiro, nos anos de 1994 e 1995. A média de idade do grupo tratado clinicamente foi de 61 anos e no grupo tratado cirurgicamente de 68,8 anos. O tempo médio de permanência (TMP) foi de 10,6 dias no grupo de pacientes tratados clinicamente e de 16,2 dias no grupo de pacientes que foram submetidos a cirurgia. O TMP nos hospitais pesquisados variou entre 5,3 e 34,7 dias.

Frente a este quadro, estratégias de prevenção devem ser traçadas a fim de diminuir o número de seqüelas e danos subsequentes já relatados. Para que sejam eficazes, é preciso inicialmente que haja uma minuciosa identificação dos fatores de risco que aumentam a incidência desses eventos, em particular daqueles seguidos por fraturas.

Os fatores de risco para queda, seguida ou não de fratura, apontados em diversos estudos são raça (branca), sexo (feminino), perda de massa óssea e densidade mineral, baixo índice de massa corporal, déficit cognitivo, demência, diminuição do tempo de reação neuromuscular, distúrbio no equilíbrio, perda de acuidade visual, quedas anteriores, uso de medicamentos, artrite, estresse ou evento psicossocial de caráter negativo, como por exemplos, morte de ente querido ou aposentadoria, dentre outros.

E ainda, o risco de cair pode crescer com o acúmulo desses fatores, sugerindo que as quedas sejam resultado de um efeito acumulado de múltiplas debilidades.

A demência é apontada como um dos fatores de risco para quedas seguidas ou não de fraturas entre os idosos.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-IV (APA, 1995), trata-se de uma doença que atinge de 2 a 4% da população acima de 65 anos, sendo que sua forma mais comum, a Demência do Tipo Alzheimer, chega a apresentar uma prevalência de 20% ou mais depois dos 85 anos. Um estudo nos EUA encontrou uma prevalência de 50% nessa mesma faixa etária. Em outro estudo realizado entre a população de três bairros da cidade do Rio de Janeiro, foram encontradas as seguintes taxas de prevalência para Demência: 5,9% em Copacabana, 9,8% no Méier e 29,8% em Santa Cruz.

Além da demência ser um fator de risco para queda, cabe lembrar que, por outro lado, as quedas podem aumentar a debilidade em pacientes dementados, e até mesmo diminuir a sobrevida de pacientes com Demência do Tipo Alzheimer.

Os diferentes tipos de demências cursam com variadas deficiências que podem contribuir para a ocorrência de quedas e fraturas. Alguns estudos sugerem que além do déficit cognitivo, outros aspectos clínicos observados, por exemplo na Doença do Tipo Alzheimer, como equilíbrio anormal, declínio do vigor físico e problemas visuais, estejam associados com o aumento de lesões entre pessoas idosas.



FONTE: Campbell et al, 1981; Prudham & Evans, 1981; Blake et al, 1988; Tinetti et al, 1988; Campbell et al, 1989; Nevitt et al, 1989; Sattin et al, 1990; Sattin, 1992; Clemson et al, 1996)/Tinetti et al, 1988; Nevitt et al, 1989; Campbell et al, 1990; Sattin et al, 1990; Cumming et al, 1991; Sattin, 1992).
 
 
 
 
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