Cadastro Médico
 
Dr(a).  expandir >

 
 



Você está em: Inicial >> Artigo >> 6 Sono E Insnia

Sono e insônia

 Feed RSS de Artigos Feed RSS
 
Postado em 21/02/2009 às 10:00:00 por Carlos de Carvalho

Visitas: 2.583

 

Sono e Insônia



SONO

O interesse pelo sono é muito antigo. Relevos antigos mostram Esculápio, pai da Medicina (IV AC) segurando um ramo de papoula, planta geradora de sono. Morfina é termo derivado de Morfeu, deus do sono. Há milênios o Homem fabrica chás os mais variados para induzir o sono.

O sono é classicamente considerado como um período de descanso para o corpo, sendo fundamental para as suas funções biológicas. É uma atividade noturna e seu tempo de duração varia de pessoa para pessoa, sendo de maior duração na infância, diminuindo com a idade.

Sono satisfatório é a sensação de noite bem dormida, independente do tempo dormido. Algumas pessoas dormem somente duas horas e têm sono satisfatório. A falta de sono, ou sono insatisfatório, por sua vez, leva à fadiga, irritabilidade, e até mesmo a problemas de memória.

O sono é um estado normal e espontâneo, facilmente reversível, de diminuição da resposta do organismo à estimulação externa. É o inverso do estado de vigília, que é um estado caracterizado por aumento da eficiência e da sensibilidade da resposta à estimulação externa. A alternância sono/vigília é a mais surpreendente manifestação do fenômeno de peridiocidade que ocorre na biologia dos vertebrados superiores, e é também conhecido como ciclo circadiano.

O mecanismo íntimo do sono é complexo e envolve vários órgãos e estruturas relacionadas ao cérebro. Estão envolvidos no processo do sono a circulação do sangue, hormônios, metabólitos e também o meio ambiente.

A atividade elétrica cerebral persiste durante o sono, ao contrário do que se pensava no passado. O sono seria um mecanismo regulador de nosso metabolismo controlando o consumo de energia.

O sono é estudado em laboratório, através do polissonograma, estudo eletroencefalográfico realizado durante o sono. A polissonografia tira uma verdadeira " radiografia" do sono, avaliando as ondas elétricas cerebrais, o movimento dos olhos, a tensão muscular e os ritmos cardíaco e respiratório. Durante o exame também é avaliada a oxigenação do sangue.O exame é feito em local especial, durante o período noturno e dura 8 horas. O traçado é analisado por sistema computadorizado. Durante o sono são observados diferentes padrões do ritmo cerebral, não sendo possível se determinar um padrão de ritmo único característico do estado de sono. Os estudos dos diversos padrões eletroencefalográficos durante o sono, são motivos de estudos não só em humanos como também em animais.

Existe uma grande variação das necessidades de sono entre as pessoas. Entre adultos o tempo de sono varia entre seis e nove horas.Um recém-nascido tem uma média de 16 horas de sono cada 24 horas, havendo também uma grande variação. Na terceira idade a média de sono é de seis horas.

O recém nascido apresenta cinco ou seis períodos de sono, (sono polifásico), durante o dia, e com a idade os períodos vão diminuindo para se concentrar no período noturno a partir da infância (sono monofásico). Um período de sono noturno caracteriza o processo de amadurecimento do sistema nervoso. Recebe também influências culturais que considera o dia o período de atividades, e a noite o período de repouso. Na velhice o sono tende a voltar ao padrão da infância, isto é, polifásico. O significado dessas diferenças é muito discutido, e acredita-se estar relacionado a fatores ambientais além das necessidades geradas pelo desenvolvimento do organismo.

Padrões ou fases de sono.

Em 1953 foi descoberta a fase REM ou "rapid eye moviments" pelos fisiologistas Eugene Aserinky e Nathaniel Kleitman. Até então o sono era considerado um período uniforme que tinha a finalidade de provocar uma recuperação passiva do organismo. O período REM do sono veio revolucionar o conceito de sono "passivo", mostrando que durante o sono ocorre uma fase muito característica cujo traçado eletroencefalográfico se assemelha ao que ocorre no estado de vigília, sendo por isso denominado período de sono "paradoxal". Isto levou a se dividir o período do sono basicamente em duas fases, a de sono paradoxal e outra de sono ortodoxo ou não REM.

O sono não REM ou ortodoxo possui várias sub fases com características eletroencefalográficas diferentes e que correspondem a diferentes momentos do sono (fase 1= inicio do sono, fase 2= sono superficial, fases 3 e 4= sono profundo). O período não REM, principalmente as fases 3 e 4, caracteriza-se pela diminuição das funções do sistema nervoso autônomo. É um período de repouso capaz de provocar a recuperação do organismo.

O sono REM ou paradoxal é um estado de grande atividade cerebral. O padrão eletroencefalográfico é muito característico e se assemelha ao que se obtém durante o estado de vigília, daí ser denominado paradoxal. Durante este período há aumento das freqüências cardíaca e respiratória. Há aumento da pressão arterial e, no homem pode ocorrer ereção. Paradoxalmente a mobilidade do corpo diminui muito, ocorrendo somente alguns tremores musculares na face e extremidades. Há movimentos bruscos dos olhos, o que deu o nome ao período. Durante este período há aumento do consumo de oxigênio e há intensa atividade das células neuronais. A atividade neuronal é tão alta que pode superar aquela que ocorre durante a vigília.Durante o REM observa-se diminuição do tônus da musculatura da face e supressão dos reflexos espinhais.

O sono REM em geral segue um período de 70-90 minutos de sono não REM. O sono não REM em geral tem a seguinte seqüência de fases: 1,2,3,4,3,2 e em seguida vem o REM. O sono REM tem duração de 5 a 15 minutos, voltando ao sono não REM. Durante o sono REM ocorrem os sonhos.

O recém nascido apresenta em 50% do período de seu sono o padrão de sono REM, no adulto este padrão corresponde a 25% do período, e no idoso este padrão corresponde a menos de 20%.

FALTA DE SONO

A falta de sono leva a uma mudança nesse padrão de sono, havendo aumento nos períodos REM. Ocorre diminuição no desempenho, de uma forma geral, com fadiga. A falta de sono é mais bem tolerada em jovens e pode levar à morte.

A falta de sono provoca também irritabilidade, visão borrada, fala arrastada, problemas de memória e confusão mental. Podem surgir alucinações e delírio. A insônia é a principal manifestação da falta de sono.

Além da insônia os principais distúrbios do sono são: o sono excessivo, a hipersomnia, a narcolepsia, a fala noturna, o bruxismo, pesadelos, enurese noturna, sonambulismo, terror noturno, ronco, apnéia, "jet lag", etc.

INSÔNIA

A insônia é o mais importante distúrbio do sono. É a dificuldade para conciliar o sono, podendo ser uma dificuldade para adormecer, para permanecer adormecido ou se caracteriza por um despertar matinal precoce.

A diminuição do tempo de sono, que ocorre normalmente na terceira idade, é freqüentemente confundida com insônia.

Esta inabilidade de se manter um sono adequado, não reparador, no passado, chegou a ser considerada uma maldição.

Há vários tipos e graus. Variadas também são suas causas: desde más condições ambientais, até distúrbios circulatórios e cerebrais, passando por ansiedade e tensão. A apnéia do sono é uma importante causa.

Não traz problemas quando ocasional e esporádica, mas pode ser lesivo quando regular e freqüente, provocando problemas dos mais variados.

Estudos norte-americanos feitos em população entre 18 e 79 anos mostram que 35% apresentam alguma forma de insônia. A insônia atinge todos os grupos etários, raciais e socioeconômicos, havendo tendência a ser mais freqüente entre as mulheres e a se acentuar com a idade.

Causas

Não é uma doença e sim um sintoma de distúrbios orgânicos e/ou psíquicos. Pode ser devida a determinados hábitos: horário irregular para dormir, uso abusivo de café, tabagismo, alcoolismo, etc. Problemas ambientais como barulho, luz excessiva, mosquitos, frio ou calor, incompatibilidade com parceiro (a), também são importantes.

Algumas doenças, como a demência e o Parkinson, podem ser acompanhados de insônia. O estado febril e a dor produzem insônia. Doenças que levam ao desconforto respiratório (asma, enfisema e insuficiência cardíaca, por exemplo) são causas de alterações no ritmo do sono. A apnéia do sono é causa importante de insônia. Grandes altitudes podem levar à insônia durante os dias de adaptação.

Na maioria dos casos, entretanto, a insônia está relacionada a distúrbios psíquicos como a depressão, ansiedade, angustia, ou stress. Alguns estudos demonstram ser a insônia mais freqüente entre pessoas divorciadas e viúvas. A insônia faz parte do quadro depressivo.

É sempre fundamental a identificação da causa da insônia para a sua correção.

Diagnóstico

A insônia é uma situação muito freqüente, e o seu diagnóstico correto é fundamental para seu tratamento. Caracteriza-se pela dificuldade para dormir, tanto no que diz respeito ao início do sono, como também à sua duração, sempre propiciando uma sensação de noite mal dormida com cansaço ao acordar. Na terceira idade a duração do sono tende a diminuir e também a tornar-se mais interrompida, sem que seja caracterizada a insônia, isto é, sem que ocorra sensação de noite mal dormida.

Na insônia nunca há a sensação de noite bem dormida ao se acordar ou sono satisfatório. O sono nunca é reparador.

Muitas pessoas que sofrem de insônia não se queixam da mesma e isso faz com que se dificulte o diagnóstico.

Tipos

A insônia pode se manifestar de três formas: a demora para se iniciar o sono, o acordar durante a noite ou o despertar muito cedo. A insônia persistente pode levar a problemas de humor e de comportamento, como a depressão. A pessoa que não dorme bem está mais sujeita a sofrer acidentes, a aumentar o consumo de álcool e a sentir sonolência durante o dia. A insônia, entretanto, pode ocorrer de maneira transitória, durante um período de maior preocupação ou "stress" ou após viagem muito longa ("jet lag").

A insônia que persiste por mais de três semanas é denominada crônica. Na insônia crônica a pessoa sente: fadiga, cansaço fácil, ardência nos olhos, irritabilidade, ansiedade, fobias, incapacidade de concentrar-se, dificuldades de atenção e memória, mal-estar e sonolência. Para alguns especialistas, o diagnóstico da insônia requer a existência dessas perturbações do bem-estar no dia seguinte, além da dificuldade com o sono.

A insônia agride mais o psíquico e o social da vida do que o orgânico. Provoca acentuada queda na qualidade de vida. Quem sofre de insônia está mais sujeito a sofrer acidentes de automóvel devido à desatenção. O insone sofre mais acidentes de trabalho e sempre apresenta queda de produtividade.

Tratamento

No tratamento da insônia a higiene do sono é fundamental, isto é, a eliminação daqueles fatores ambientais negativos importantes.

Alguns cuidados são muito importantes para se ter um bom sono: horários constantes para dormir e acordar; evitar dormir mais do que o necessário; estar relaxado e tranqüilo ao ir dormir e se possível tomar um banho quente antes; procurar dormir sempre no mesmo lugar; evitar bebida estimulante (café e álcool, por exemplo) e fumo antes de dormir; bem como refeições pesadas.

A melhor posição para se dormir é de lado, com os joelhos flexionados, sobre um colchão resistente, mas não duro e travesseiro na altura dos ombros.

Deve-se evitar a utilização de colchão muito macio, como o de molas.

O hábito de praticar exercícios regulares, de comer coisas leves antes de dormir, e manter horários fixos, para dormir ajudam a evitar a insônia. A "soneca" durante o dia deve ser evitada. O estado psíquico da pessoa deve ser sempre bem avaliado e conseqüentemente bem orientado.

O controle da insônia com medicamentos deve ser feito com muito critério. Os medicamentos ditos soníferos ou reguladores do sono, nada mais são que psicotrópicos (na sua maioria derivados dos benzodiazepínicos), que devido a sua ação depressiva sobre o sistema nervoso central induzem ao sono. São drogas úteis para a indução rápida do sono em situações especiais, como nos momentos que antecedem a uma cirurgia (pré-operatório) ou em viagem longa, por exemplo. É recomendado o seu uso, então, nas insônias transitórias.

O uso regular de hipnóticos para tratamento da forma crônica da insônia deve ser evitado, pois leva a dependência, distúrbios da coordenação motora e de comportamento, diminuição da memória, produzem depressão, e no fim, pioram a insônia.

As estatísticas mostram que os soníferos estão entre as drogas mais consumidas na idade adulta. A sua utilização deve ser feita levando-se em conta que o seu uso prolongado leva ao acúmulo da droga no organismo, além de produzir aumento de seus efeitos colaterais.

Alguns cuidados devem nortear a utilização de substâncias psicotrópicas no controle do sono: usar doses pequenas (mínima dose eficiente) e de maneira intermitente (2 a 3 vezes por semana), por curto espaço de tempo (no máximo quatro semanas) e ser retirada gradualmente. Os psicotrópicos melhores são aqueles de mais rápida eliminação: triazolam, zolpidem, midazolan. No idoso a dose deve ser sempre menor que aquela utilizada para o adulto jovem.

A utilização de antidepressivos, principalmente aqueles relacionados ao metabolismo da serotonina (trazodone, nefazodone, paroxetine), melhoram a qualidade do sono e estão sendo cada vez mais utilizadas com bons resultados.

Algumas substâncias antialérgicas (antihistamínicos) podem ser utilizadas para induzir o sono. A melatonina pode ser eficiente, principalmente em idosos.

A utilização de substâncias pouco agressivas ao organismo, como chás, especialmente o de valeriana (derivado da planta Valeriana officinalis) pode ser útil no tratamento, com a vantagem de ser inócuo.



Fonte: Dr. João Roberto D. Azevedo


 
 
 
 
Cadastro Médico ® Todos os Direitos Reservados - Mapa do Site - Publicidade - Feeds RSS - Política de Privacidade - Empório High-Tech