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incontinencia urinaria

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Postado em 04/10/2010 às 18:58:40 por Talles Leandro de Oliveira

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Acta Urol Jul 2010; 27; 2: 21-28 21

Relação Entre Sintomas e Achados Urodinâmicos em Mulheres com Incontinência Urinária

Relação Entre Sintomas e Achados

Urodinâmicos em Mulheres com

Incontinência Urinária

Autores:

Talles Leandro de Oliveira1, Paulo Oliveira1

Instituição:

1 Fundação Monte Tabor – Hospital São Rafael (HSR) – Salvador, Brasil

Correspondência:

Rua Izabel Silveira Guimarães nº 112, Catolé, Campina Grande, Paraiba, Brasil CEP: 58410841

RESUMO

Objectivo: Determinar a associação entre sintomas de incontinência urinária (IU) não-neurogénica

feminina e os resultados apresentados no estudo urodinâmico((EU). Estudo de coorte transversal através da

análise de questionário de sintomas IU e de resultados de EU.

Material e Métodos: Durante o período de Setembro de 2008 a Fevereiro de 2009 foram seleccionadas

105 mulheres com sintomas de IU. As suas queixas foram analisadas através de um questionário padronizado

- ICIQ-SF validado para o português (Tamanini, 2004) e comparado com os resultados de EU no ambulatório

do Serviço de Urologia do Hospital São Rafael, Salvador, Bahia. As doentes foram classificadas dentro dos

diferentes tipos de IU segundo a normatização da Sociedade Internacional de Continência. Foram incluídas

mulheres com idades entre 18 e 85 anos com sintomas de IU. Registámos as co-morbidades, paridade, história

prévia de cirurgias, exame físico incluindo o ginecológico, uso de absorventes para IU e dados relevantes da

urodinâmica. Foram excluídas do estudo as mulheres com história de doença neurológica pré-existente ou

suspeita neurológica baseada no exame clínico e ITU vigente.

Resultados: Foram avaliadas 135 mulheres que realizaram EU no nosso serviço. Foram excluídas 30

doentes por doença neurológica ou ITU. Para análise do estudo foram incluídas 105 doentes, com idade média

de 54,6 anos. As doentes foram alocadas em três grupos de acordo com suas queixas: grupo 1, incontinência

de urgência urinária (IUU); grupo 2, incontinência urinária de esforço (IUE) e grupo 3, incontinência urinária

mista (IUM), com uma taxa de incidência de 34 (32,4%), 41 (39%) e 30 (28,6%) respectivamente. O EU revelou:

Relationship Between Symptoms and Urodynamic Findings

in Women with Urinary Incontinence

Artigos Originais

22 Acta Urol Jul 2010; 27; 2: 21-28

Talles Leandro de Oliveira | Paulo Oliveira

ABSTRACT

Objective: To determine the association between female symptoms of non-neurogenic urinary

incontinence (UI) and urodynamic test (UT) results. DESIGN: Transversal cohort study through the analysis of

questionnaire of UI symptoms and results of UT.

Material and Methods: During the period of September 2008 to February 2009 105 women with

symptoms of UI were selected. Their complaints were analyzed through a standardized questionnaire - SFICIQ

validated for Portuguese and compared with results of UT in the outpatient clinic of the Department

of Urology, Hospital São Rafael, Salvador, Bahia. The patients were classified into the different types of UI

according to the normalization of the International Continence Society. We included women aged 18 to 85

years with symptoms of non-neurogenic urinary incontinence. The co-morbidities, parity, previous history

of surgeries, physical examination, including gynecological, use of absorbents to UI and relevants data of UT

were recorded. Women with a history of pre-existing neurological disease or neurological suspicion based on

clinical examination and the presence of urinary infection were excluded from the study.

Results: We evaluated 135 women who underwent UT in our service. Thirty patients were excluded by

neurological disease or urinary infection. For the global analysis of the study were included 105 patients. The

patients were divided into three groups according to their complaints: group 1, urgency urinary incontinência

(UUI), group 2, stress urinary incontinence (SUI) and group 3, mixed urinary incontinence (MUI), with an

incidence rate of 34 (32.4%), 41 (39 %) and 30 (28.6%) respectively. The UT revealed: 40% SUI, 7.6% SUI +

DO, 5.7% MUI, 13.3% UUI, DO 10.5% and 7.5% BOO, and 15% had normal UT. Of the patients in group 1, 27%

showed UUI, in group 2, 68% showed SUI and in group 3, 20% showed MUI.

Conclusion: The UT was able to show UI in 66% of women with this type of symptom. The symptom

that best correlated with the UT was SUI. The UT is an important tool in the diagnosis of UI but not always the

symptom will be reproduced during the examination.

Key-words: Urinary Incontinence, Urodynamics

40% IUE, 7,6% IUE+hiperatividade detrusora (HD), 5,7% IUM, 13,3% IUHD, 10,5% HD e 7,5% obstrução infravesical

(OIV), e 15% tinham EU normal. Das doentes do grupo 1, apenas 27% demonstraram IUHD; no grupo

2, apenas 68% demonstraram IUE e no grupo 3, apenas 20% demonstraram IUM.

Conclusão: O EU foi capaz de demonstrar IU em 66% das mulheres com este tipo de sintoma. O

sintoma que melhor se correlacionou com o EU foi IUE. O EU é uma ferramenta importante no diagnóstico da

IU porém nem sempre o sintoma será reproduzido durante o exame.

Palavras-chave: Incontinência Urinária, Urodinâmica

Intro dução

Nos últimos anos, o papel da história clínica

e de estudos urodinâmicos (EU) no diagnóstico e

tratamento dos diferentes tipos de incontinência

urinária (IU) tem sido assunto de muito debate.

Muitos especialistas inicialmente usavam os

sintomas para presuntivamente diagnosticar

incontinência de urgência e incontinência de esforço

previamente não tratadas. Outros recomendavam

de rotina o estudo urodinâmico1. Estudos clínicos

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Relação Entre Sintomas e Achados Urodinâmicos em Mulheres com Incontinência Urinária

têm suportado as duas práticas, alguns mostrando

que a história sintomatológica é tanto sensível

quanto específica no diagnóstico dos vários tipos

de IU, enquanto outros estudos se mostram

indiferentes quanto ao diagnóstico baseado em

sintomas2. O papel da urodinâmica na avaliação

da IU é ainda incerto. Estudos têm demonstrado

que a urodinâmica pode ser fielmente interpretada

e melhorar a precisão no diagnóstico de tipos

específicos de incontinência urinária3. O objectivo

do estudo urodinâmico é a reprodução dos

sintomas, enquanto se fazem medições precisas

para identificar a causa subjacente, e quantificar

os processos fisiopatológicos4. Tendo em vista

a alta frequência de queixas de IU nos nossos

ambulatórios, e a inconsistência do tratamento ideal

dessas doentes em relação ao uso mais invasivo

de um método diagnóstico, este trabalho tem a

finalidade de determinar a associação existente

entre os sintomas de IU feminina e os resultados

apresentados no estudo urodinâmico, e tentar

identificar os diferentes tipos de achados para que

possamos conduzir e entender essa enfermidade

com mais exactidão.

Material e Métodos

Durante o período de Setembro de 2008

a Fevereiro de 2009 foram seleccionadas 105

mulheres com sintomas de incontinência urinária.

Através de um estudo transversal, as suas queixas

foram analisadas através de um questionário

padronizado e comparado com os resultados

obtidos de estudos urodinâmicos, no ambulatório

do serviço de Urologia do Hospital São Rafael (HSR),

Salvador, Bahia, Brasil. O estudo foi aprovado pela

comissão de ética médica do HSR.

Os doentes foram divididos em três grupos

baseados em queixas subjectivas avaliadas através

de entrevista, com o próprio médico, utilizando um

questionário validado para a língua portuguesa,

baseado no ICIQ-SF, International Consultation on

Incontinence Questionnaire5, antes da realização

do estudo urodinâmico. Grupo 1: incontinência de

urgência urinária; grupo 2: incontinência urinária

de esforço; e grupo 3: incontinência urinária

mista. Os doentes foram agrupados de acordo

com a padronização da Sociedade Internacional de

Continência urinária6. A frequência dos diferentes

diagnósticos urodinâmicos para todas as mulheres

com incontinência urinária (IU) e em cada grupo

acima foram calculadas. Foram incluídas no

presente estudo mulheres entre 18 e 85 anos

com sintomas de IU. Mulheres com história préexistente

de doença neurológica ou suspeita de

doença neurológica baseada na história e/ou

exame físico foram excluídas, bem como mulheres

com infecção do trato urinário.

Além da avaliação das queixas de IU, foi

feito um minucioso exame físico com investigação

de presença de prolapsos de órgãos pélvicos. Os

prolapsos além do hímen foram reduzidos com

gaze. Em seguida, foi realizado estudo urodinâmico

em todas as doentes. O estudo urodinâmico foi feito

com a doente em posição ortostática, com infusão

de soro fisiológico a uma velocidade de 50ml/

min. Dois cateteres uretrais 8Fr e 6Fr e um cateter

retal 12Fr com balão foram posicionados. O ponto

de perda da pressão abdominal foi inicialmente

medido a uma pressão de 200cm3. Manobras

provocativas tipo tosse ou Valsalva foram realizadas

para reproduzir hiperactividade ou perda urinária.

A presença e características da hiperactividade do

detrusor e incontinência urinária de esforço foram

registadas.

Resu ltados

Durante um período de Setembro de 2008

a Fevereiro de 2009, foram avaliadas 135 mulheres

que realizaram EU no nosso serviço. Foram excluídas

30 doentes por doença neurológica ou infecção do

trato urinário (ITU). Para análise do estudo foram

incluídas 105 doentes. A taxa de participação foi

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Talles Leandro de Oliveira | Paulo Oliveira

de 77,7% e todas as doentes foram analisadas. A

média de idade foi de 54,6 (18 - 85 anos). A tabela

I mostra as características da população estudada.

As doentes foram agrupadas em três grupos de

acordo com suas queixas e assim foram divididas:

grupo 1, incontinência de urgência urinária; grupo

2, incontinência urinária de esforço e grupo 3,

incontinência urinária mista, com uma taxa de

incidência de 34 (32,4%), 41 (39%) e 30 (28,6%)

respectivamente.

O EU demonstrou: 42 mulheres (40%) IEU,

8 (7,5%) IEU + HD, 6 (5,7%) IUM, 14 (13,3%) IUHD,

11 (10,5%) HD e 8 (7,5%) OIV e 16 (15%) doentes

não apresentaram alteração no EU. Das mulheres

que através do estudo urodinâmico não mostraram

alterações, três (18%) relataram queixas moderadas

a severas de perda urinária. A tabela II mostra os

achados urodinâmicos de acordo com as queixas

apresentadas. Das 29 (27,5%) doentes que tinham

algum grau de prolapso anterior, vinte e três (79%)

apresentaram alteração no estudo urodinâmico.

Foi observado que das doentes que obtiveram um

teste urodinâmico obstrutivo (pressão no fluxo

máximo acima de 20cmH2O), 4 (50%) tinham

passado cirúrgico de histerectomia abdominal

(HTA) e ou correcção de prolapso anterior vaginal

e 2 (25%) tinham prolapsos estadio III ou mais. A

Obstrução vesical foi aliviada após a redução dos

prolapsos estagio III ou mais em 100% dos casos,

porém duas doentes apresentaram IEU com média

de pressão de perda por esforço (PPE) 70cmH2O.

Das avaliações urodinâmicas que

identificaram IEU, 22 (53%) mulheres tinham sido

submetidas a cirurgias para correcção de prolapsos

Tabela 1 - Características da população de doentes

Todos os doentes

(n= 105)

Idade (média) 54,6

Paridade (média e

Variação)

3,3 (0 – 16)

HTA prévia (n, %) 25 (24%)

HTV prévia (n, %) 2 (2,0%)

Cirurgia prévia IU/prolapso

(n, %)

28 (26,5%)

Estadio do prolapso

anterior (n, %)

29 (27,5%)

Estadio I 9 (31%)

Estadio II 15 (52%)

Estadio III 5 (17%)

Estadio IV 1 (3%)

Uso absorvente/dia (%,

média)

26% (1,9)

Comorbidades (n, %) 47 (45%)

Hipertensão(HAS) 31 (66%)

Diabetes Melitus(DM) 1 (2%)

DM + HAS 15 (32%)

Tabela II - Achados urodinâmicos baseados nas

queixas apresentadas

Queixas

apresentadas

Achados

Urodinâmicos

Urgência (n=34)

HD 22 (65%)

IUE 3 (9%)

OIV 3 (9%)

Incontinência de

esforço (n=41)

IUE 29 (71%)

HD 3 (7%)

OIV 2 (5%)

Incontinência

mista (n=30)

IEU 23 (77%)

HD 14 (47%)

OIV 3 (10%)

IUE = incontinência urinária de esforço à urodinâmica;

HD = hiperatividade detrusora; IUM = incontinência

urinária mista; OIV = obstrução vesical

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Relação Entre Sintomas e Achados Urodinâmicos em Mulheres com Incontinência Urinária

Tabela III - Valor preditivo positivo do estudo urodinâmico em relação às queixas de perda urinária

(Comparação de vários estudos)

VPP (%)

Estudo IUU IUE IUM Estudo Normal

Doley et al12 15,9% 49,8% 34,3% -

Weidner et al8 - 73,7% - -

Agur et al13 7,2% 33,6% 57,4% -

Ricci et al14 5% 72% 12% 10%

Digesu et al15 - 78% - -

Presente estudo 27% 68% 20% 15%

VPP – valor preditivo positivo;IUU= incontinência urinária de urgência; IUE= incontinência urinária de esforço à

urodinâmica; IUM= incontinência urinária mista;

vaginais e/ou IU e/ou HTA ou histerectomia

transvaginal (HTV). As mulheres que apresentaram

uma sensibilidade aumentada (primeiro desejo

miccional à urodinâmica abaixo de 150ml de

volume infundido) 39 (37%) na cistometria, 34

(87%) demostraram HD e ou IU na avaliação

urodinâmica. Vinte e oito (26,5%) doentes tinham

história prévia de correcção cirúrgica para IU e/ou

prolapso genital anterior, sendo encontrada uma

taxa de incontinência urinária na urodinâmica de

50%. Quando se correlaciona a PPE com a paridade

das doentes, a urodinâmica evidencia que das

22 (46%) mulheres que mostraram uma PP ≤

60cmH2O, treze (59%) tiveram uma paridade ≥ 3

(RR = 2,4 IC 95%).

Discussão

Os tratamentos para IU dependem do tipo

de incontinência e podem ser comportamentais,

farmacológicos ou cirúrgicos. É preciso estar

certo sobre o diagnóstico para compreender por

que razão uma certa terapia foi mal sucedida. A

avaliação das mulheres com IU, especialmente

antes de um tratamento cirúrgico, ainda permanece

controversa. Alguns autores acreditam que as

avaliações urodinâmicas são imprescindíveis antes

de algum tratamento cirúrgico, porque os sintomas

não são preditores de diagnóstico, e estudos

urodinâmicos poderão fornecer informações úteis

sobre o esfíncter uretral e função detrusora7,8.

Em contrapartida, outras autoridades reconhecem

que o EU é um método diagnóstico invasivo, caro,

demorado, e não é uma ferramenta perfeitamente

reprodutível9,10,11. Nesse sentido, o presente

estudo analisou a correlação do diagnóstico

sintomatológico de IU com os achados definitivos de

estudos urodinâmicos. Nós observámos diferentes

tipos de IU relatados pelas doentes, como IUU

(32%), IUE (39%) e IUM (28%). No nosso estudo

os doentes que demonstraram sintomas de IUU,

IUE e IUM tiveram um VPP no estudo urodinâmico

de 27%, 68% e 20%, respectivamente. A tabela II

demonstra os achados urodinâmicos definitivos. A

tabela III demonstra vários estudos comparativos

em relação ao VPP dos achados urodinâmicos em

relação às queixas de IU.

26 Acta Urol Jul 2010; 27; 2: 21-28

Talles Leandro de Oliveira | Paulo Oliveira

Das 105 doentes com queixas de perda

urinária analisadas na nossa série, 39 (37%)

apresentaram hiperactividade detrusora no

EU. Isto poderia ser explicado pelo facto de a

grande maioria destas mulheres terem nas suas

queixas a urgência miccional acompanhada de

outros sintomas menores de nictúria e polaciúria,

configurando talvez um quadro clínico compatível

com bexiga neurgénica.

Em 15% dos casos o estudo urodinâmico

mostrou-se sem alteração na nossa série. Colli e

colaboladores mostraram, a partir de uma revisão

da literatura, que a média da taxa de sensibilidade

(especificidade) da história clínica versus estudo

urodinâmico era de 0,82 (0,57) para IUE, 0,69

(0,60) para UIU/HD e 0,51 (0,66) para doentes com

IUM. A proporção de mulheres com diagnóstico

clínico de IU mas com resultados normais no teste

urodinâmico variou de 3 a 8%1.

O aperfeiçoamento das técnicas

urodinâmicas permitiu uma avaliação mais precisa

de distúrbios da micção e reconhecer que é mais

comum em mulheres com sintomas urinários do

trato urinário baixo (LUTS) do que se imaginava.

Num estudo recente realizado por Gravina e

colaboradores, o autor mostrou uma prevalência

de 15,7% (16 de 101 casos) de obstrução

infravesical (OIV) em mulheres com IUE16. O nosso

estudo confirmou uma taxa de 8 (7,5%) de OIV das

mulheres que se queixavam de IU. Vinte e cinco

por cento das mesmas tinham cistocele de estadio

maior ou igual a III, sendo reduzido a zero a taxa de

OIV após a redução do prolapso com gaze. Gilleran

e colaboladores mostraram resultados semelhantes

(30%) de OIV em doentes com prolapsos maiores

sendo a maioria resolvidos após a sua redução17.

Embora o estudo urodinâmico seja a

única forma de observar diferentes achados de IU

e outros distúrbios, existe razão para questionar

se este é o teste gold standard para estabelecer

a causa desconhecida da incontinência urinária

em cada mulher. Esta questão levou o ICS a

diferenciar entre observações urodinâmicas e tipos

de incontinência. A visualização da perda de urina

numa uretra não cateterizada no instante de uma

tosse (o sinal da IUE) numa mulher que se queixa

do sintoma de IUE émelhor prova da condição de

IUE do que a não perda de urina, de uma uretra

cateterizada desta mesma mulher, sendo evidência

da ausência da condição de IUE. Assim, é provável

que grande parte da inexactidão do algoritmo

clínico seja derivada tanto da imprecisão do estudo

urodinâmico, quanto da pouca acuidade do próprio

algoritmo18. Vários estudos têm comparado o

teste ergométrico com manobras de tosse com

EUs. Estes estudos demonstraram que o teste de

esforço teve uma boa sensibilidade e especificidade

no diagnóstico da IEU quando comparados com

sofisticadas medidas multicanais cistométricas,

tornando-se uma ferramenta padrão comummente

usada por médicos para avaliar incontinência

urinária em mulheres antes da cirurgia e para

medir os resultados cirúrgicos19,20,21.

Conclusão

À luz dos nossos dados, podemos concluir

que uma simples e precisa avaliação dos sintomas

utilizando um questionário validado representa

uma ferramenta interessante no diagnóstico e

rastreio da IU feminina. Existe portanto uma relação

positiva entre os sintomas das doentes analisados

pelo questionário e os resultados obtidos no EU,

uma vez que na grande maioria das vezes as queixas

das doentes eram reproduzidas pela urodinâmica,

principalmente quando estas mulheres se

enquadravam em sintomas de perda por esforço.

Portanto, o EU tem de ser considerado antes da

cirurgia de IU para as mulheres que se queixam

desses sintomas, porque aproximadamente 36%

dessas doentes terão um outro diagnóstico pelo

teste. Como consequência, este último grupo

de mulheres terá diferentes aconselhamentos

Acta Urol Jul 2010; 27; 2: 21-28 27

Relação Entre Sintomas e Achados Urodinâmicos em Mulheres com Incontinência Urinária

e condutas. No nosso estudo o EU foi capaz de

demonstrar IU em 66% das mulheres com este tipo

de sintoma. O sintoma que melhor se correlacionou

com o exame foi IUE.

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