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Sete em cada 10 parceiros mantêm o casamento após descoberta de traição

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Postado em 04/11/2010 às 19:09:15 por Inpa - Instituto de Psicologia Aplicada

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Perdão nem sempre faz parte da reconciliação



O tema é um tabu. Muitos ainda o tratam de forma velada, não se sentem completamente à vontade para se definir como traídos ou traidores. Embora diversas pesquisas mostrem que homens e mulheres admitem ter traído, a expectativa é de que os números sejam muito maiores do que o divulgado. Se é fato que a traição é um problema enfrentado pela maioria dos casais, alguns estudos mostram que ela ainda é assunto varrido para debaixo do tapete.

O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) constatou que apenas um em cada quatro brasileiros casados espera que o parceiro seja fiel. Isso significa que 75% das pessoas casadas acreditam que serão traídas. Pesquisa quantitativa feita com 1.279 homens e mulheres do Rio de Janeiro pela antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, revelou que 60% dos homens e 47% das mulheres se confessaram infiéis.

Embora os motivos apontados por eles e elas para a traição sejam completamente diferentes, a infidelidade conjugal, pelo menos no discurso, tem sempre o mesmo culpado: o homem.

– Os homens justificam suas traições por meio de uma suposta essência ou instinto masculino. Já as mulheres dizem que seus parceiros, com suas faltas e galinhagens, são os verdadeiros responsáveis pelas relações extraconjugais delas. Ou seja, no discurso dos pesquisados, a culpa da traição é sempre do homem: seja por sua natureza incontrolável, seja por seus inúmeros defeitos no que diz respeito ao relacionamento – explica a antropóloga.

Ainda que a fidelidade seja apontada por casais em pesquisas como valor indispensável à saúde da relação – deixando o amor em segundo lugar – a intolerância à traições é um mito.

– Ao contrário do que se pensa, a maior parte dos casais que passa por essa situação não se separa. A maioria tenta superar e se livrar desse fantasma – garante o psicólogo Enrique Maia Rocha, do Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa), apoiado em pesquisa realizada pela colega de profissão Arlete Gavnaric, coordenadora da pós-graduação em terapia sexual da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo.

Levantamento promovido pela especialista aponta que 70% dos casais que se deparam com uma situação de infidelidade seguem juntos. Mas é realmente possível perdoar e afastar a insegurança do relacionamento?

O perdão

O dilema que assola os casais após a descoberta da infidelidade diz respeito ao perdão. Palavra bonita, de significado redentor, mas de difícil execução prática. Exorcizar o fantasma da desconfiança não é fácil. Se o telefone toca, os olhos se arregalam; a cerveja do fim do dia com os amigos vira uma prova de fogo; o assunto volta a cada discussão. Retomar o relacionamento de modo sadio após uma traição demanda diálogo, o que não significa detalhar a traição em miúdos, atitude mais dolorosa e pouco eficaz.

– Tudo deve ser colocado às claras para que a traição possa ser superada. É preciso identificar os problemas da relação. Mas esmiuçar detalhes é cutucar uma ferida aberta – explica o psicólogo do Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa) Enrique Maia Rocha.

Estabelecer dentro do relacionamento papéis de vítima e carrasco também não ajuda na recuperação. Segundo o psicólogo, o traído sempre se colocará como vítima. Além de enganado, ele se sente diminuído e o traidor passa a tentar compensar de todas as formas o erro que cometeu. A recomendação é que cada um busque identificar seu espaço na relação para reforçar o que uniu os dois em algum momento e agora poderia ajudar a construir coisas em comum.

– O sofrimento é inevitável. Existe troca de acusações, as pessoas sentem-se mal, mas é possível superar isso tudo. Perdoar também significa ser capaz de lidar com a dor toda vez que a traição é lembrada – reforça Enrique Maia. 
DONNA DC - Correio Braziliense 

 
 
 
 
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