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Tipos de parto

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Postado em 07/07/2012 às 10:39:43 por Camila Takase Kusano

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Tipos de parto

Uma das inúmeras preocupações de uma mãe, tanto a de primeira viagem quanto a que teve experiência de outras gestações, é o parto. Existem vários tipos para que ela escolha como quer trazer seu bebê ao mundo – o normal, o natural, o método Leboyer, o parto na água, o de cócoras, a cesariana e o parto com fórceps.

As formas de nascer estão diretamente ligadas ao avanço da medicina. Se antes as mulheres davam à luz em suas próprias casas, muitas vezes sozinhas ou acompanhadas de parteiras, hoje isso é feito, na maioria das vezes, em maternidades, dentro do ambiente hospitalar, que proporciona maior conforto e assistência tanto à mãe quanto ao bebê.

De acordo com o Dr. Mariano Tamura, ginecologista e obstetra do Einstein, datam do final do século 19 e início do século 20 os primeiros relatos de cesarianas com sobrevida da mãe. Antes disso, a cirurgia era realizada apenas em casos extremos e praticamente todas as mulheres morriam. “Não existiam fios cirúrgicos e nem conhecimento da necessidade de se realizar suturas (pontos nos cortes cirúrgicos). Os bebês eram retirados e o útero ficava aberto. A cicatrização era espontânea (também conhecida como cicatrização por segunda intenção). O útero, que é um órgão muito vascularizado, ficava sangrando até se recompor, e como isso não acontecia na maioria das vezes, as mulheres tinham hemorragia interna ou infecção e acabavam morrendo”, diz o médico.

“Hoje, o nascimento de bebês é um procedimento bastante seguro, se forem tomadas algumas precauções fundamentais, como pré-natal desde o início da gravidez e os cuidados assistenciais na hora do parto”, diz o Dr. Tamura.

Trabalho de parto

Período dividido em quatro fases ativas. Antes disso, existe uma fase chamada de pródromos, também conhecida como fase pré-sintomática, em que a mulher não iniciou as contrações regulares e ainda não atingiu uma dilatação adequada, que é de pelo menos 2 cm ou 3 cm.

A primeira fase ativa é a dilatação do colo uterino, acompanhada pela descida do bebê na pelve materna; a segunda, conhecida por expulsão fetal, dura desde o momento em que a dilatação é total (10 cm) até a saída do bebê, ou seja, o nascimento em si.

A terceira fase ativa é a da saída da placenta (ou dequitação); e a quarta e última fase se inicia após a saída da placenta e dura mais uma hora – período em que o útero se contrai para cessar o sangramento de vasos, evitando hemorragias internas.

Tipos de parto

De acordo com o Dr. Tamura, existem os partos naturais e os partos operatórios. “Quanto menos intervenção, mais próximo o parto está do natural, ainda que isso implique em sentir dor.”

Parto normal:

É todo parto que acontece por via vaginal, ou seja, o bebê sai pela pelve (vagina) da mulher. Dependendo do desenrolar do trabalho de parto, o médico pode usar medicamentos e fazer algumas intervenções.

A gestante pode receber analgesia, um tipo de anestesia que inibe a dor, mas não tira a sensação das contrações nem o sentido do tato. Após a dilatação do colo do útero, ela é colocada na cama de parto, onde o médico controlará a saída do bebê. Às vezes, faz-se um corte (episiotomia) no períneo (região que liga a vagina ao ânus), com o objetivo de facilitar a passagem do bebê, protegê-lo contra o desprendimento brusco e preservar os tecidos da vagina.

Parto natural:

É um procedimento em que não existe nenhuma intervenção para a sua indução. Podem até ocorrer algumas manobras para que a mulher não sinta dor, como massagens, mas sem o uso de medicamentos. “Pode ser que esse parto siga dessa maneira até o fim e se concretize como parto natural, como também pode ser que necessite de intervenção médica“, explica o obstetra.

Parto de cócoras:

É uma forma bastante antiga de dar à luz e a maneira mais fácil de expulsar o bebê, pois a gravidade puxa o peso para baixo e colabora no trabalho de parto, acelerando a dilatação iniciada pelas contrações. E possui algumas vantagens e desvantagens.

A vantagem é a abertura maior da vagina e da bacia óssea, provocada pela posição, deixando o canal de parto desimpedido e muitas vezes favorecendo a saída do bebê. A desvantagem é que esse tipo de parto está menos sujeito à assistência ao bebê, caso seja necessário, e à proteção do períneo (região de saída da vagina) contra lacerações causadas durante o nascimento.

Parto na água:

De acordo com o Dr. Mariano Tamura, a natureza humana não combina com o nascimento na água. O bebê, antes de nascer, está em ambiente que contém o líquido amniótico, considerado na maioria das vezes estéril e livre de infecções, e deve, ao nascer, respirar ar e oxigenar os pulmões. “Devemos nascer no meio ambiente onde iremos viver”, afirma o médico.

O parto na água traz, em especial, dois riscos para a vida do recém-nascido. O primeiro é o de pneumonia, pois a água em que ele vai nascer não é estéril e, não raro, está contaminada por microorganismos do local. Então, o risco de aspiração dessa água contaminada para o pulmão do bebê, que pode levar a uma infecção, é real.

O segundo risco é o de asfixia: o bebê consegue viver em meio ao líquido amniótico, dentro da barriga da mãe, porque toda a sua oxigenação é feita pelo cordão umbilical (órgão que pulsa e que manda oxigênio e nutrientes); o seu pulmão está em formação nessa etapa e apenas recebe líquido para que seja expandido, mantendo os alvéolos abertos. Depois do nascimento, em aproximadamente um minuto, o cordão umbilical deixa de pulsar. O bebê, então, para de receber oxigênio por essa via e terá que respirar pelos pulmões, que não devem estar cheios de água.

“Durante o trabalho de parto, com o rompimento da bolsa, a criança expulsa parte desse líquido que está em seus pulmões, para que eles estejam limpos ao nascer. Por isso, o parto na água é desaconselhável. Não faz sentido encher seus pulmões de água quando, na verdade, ele precisará respirar”, esclarece o Dr. Tamura.

Parto a fórceps:

É um parto operatório via vaginal, em que é usado um instrumento cirúrgico em formato de duas colheres (fórceps) para a retirada do bebê. É posicionado na cabeça da criança, perto dos ouvidos (têmporas).

Esse procedimento é indicado quando o bebê está com alguma dificuldade para sair. E é feito quando há dilatação total do colo uterino e o bebê está bem embaixo, quase saindo, mas ainda precisa de ajuda, em função de cansaço da mãe. De acordo com o Dr. Mariano Tamura, quando bem feito e no momento certo, não machuca nem o bebê nem a mãe.

Parto de múltiplos:

Ao contrário do que muitas mães pensam, não é necessariamente um parto feito por cesariana e pode, sim, ser feito de forma normal. Isso irá depender da posição dos bebês. Em caso de gêmeos, se ambos estiverem de cabeça para baixo, o parto normal é tecnicamente aceitável. Se os bebês estiverem sentados ou invertidos – o primeiro estiver sentado e o segundo estiver de cabeça para baixo – é indicado apenas o parto por cesariana.

“Se for trigêmeos ou mais, sempre é indicada a cesárea, pela possibilidade de os bebês mudarem de posição na hora do parto”, explica o médico.

Parto Leboyer:

Criado pelo médico francês Frédérick Leboyer, é uma modalidade de parto que presa por um ambiente mais confortável para o nascimento, com foco no atendimento ao recém-nascido, tentando fazer daquela experiência a menos traumática possível.

Caracteriza-se pelo uso de pouca luz, silêncio, principalmente depois do nascimento, massagem nas costas do bebê, amamentação precoce e banho perto da mãe, que pode ser dado pelo pai. “São cuidados interessantes e que podem ser utilizados na maioria dos partos, embora não se possa dizer que nascer de outra maneira seja, de fato, traumático ou traga consequências negativas”, afirma o Dr. Tamura.

Parto cesárea ou cesariana:

É um parto operatório, com corte abdominal. E é realizado quando não existem condições favoráveis de a criança vir ao mundo de parto normal.

Na cesárea, após a anestesia, o médico corta algumas camadas de tecido abdominal até chegar ao útero, por onde é retirada a criança; depois, é cortado o cordão umbilical e a cavidade uterina é limpa. Só então o médico faz as suturas no caminho inverso, utilizando fios cirúrgicos.

Alguns são os motivos que levam os obstetras a optar por uma cesárea, como prolapso do cordão umbilical (quando o cordão surge pela vagina antes do aparecimento da criança); descolamento prematuro da placenta; sofrimento fetal agudo, em função de baixas reservas de oxigênio; infecções sexualmente transmissíveis (quando, em um parto natural, o bebê tiver risco de contrair a doença durante a passagem pelo canal vaginal), entre outros.

E vale a pena correr riscos?

Todas as modalidades de parto podem ser feitas dentro de uma maternidade, que, segundo o ginecologista, é o melhor lugar para trazer um bebê ao mundo, pois reúne as melhores condições assistenciais tanto para a mãe quanto para o bebê, dando total segurança e conforto à família.

“Em grandes cidades como São Paulo, com um trânsito bastante difícil, optar por um parto em casa é um grande risco. Se há necessidade de chegar ao hospital em situações de urgência, até mesmo alguns minutos de atraso na assistência médica necessária já podem levar a consequências graves. Mesmo em pré-natais de baixo risco, aproximadamente 10% das mulheres que optam por dar à luz no lar ou em casas de parto vão precisar ser transferidas ao hospital durante ou no final do parto. E isso não é uma estatística baixa”, afirma o médico.

Cuidados pós-parto e neonatais

O pós-parto é a fase de retorno do organismo da mulher, dos órgãos reprodutivos às características pré-gravidez. A duração dessa fase é de aproximadamente seis semanas (42 dias), período conhecido como puerpério. E os cuidados que a mãe deve ter vão depender do tipo de parto a que ela se submeteu.

Quando tiver sido feito uma cesariana, os cuidados são os mesmos de qualquer pessoa que se submeteu a uma cirurgia.

  • Do nascimento à segunda semana: a mulher deve fazer atividades leves, sem esforços, mas sem deixar de se movimentar, em função do risco de trombose, quando se fica imóvel por muito tempo.
  • Da segunda à quarta semana: já pode voltar às atividades do dia a dia, sempre respeitando seu corpo e seu bem-estar. “Nesse período, a mulher está amamentando, dormindo pouco, com sono fragmentado. É um período de cuidados ao bebê. Ela precisa ter uma boa alimentação e descansar bem”, diz o médico.
  • A partir de quatro semanas, a mãe já pode iniciar uma atividade física. E depois de seis semanas pode voltar a sua vida sexual. Antes desse período, o útero da mulher ainda está regredindo e, portanto, encontra-se mais vulnerável às infecções.

“O período entre um parto e outro, conhecido como intervalo interpartal, deve ser de mais de um ano. Antes disso, existe maior risco de rompimento de cicatrizes no útero e também de parto prematuro”, esclarece o obstetra.

Quanto aos cuidados com o recém-nascido na sala de parto, esses têm sido feitos da forma menos invasiva possível. “Hoje, se o parto não tiver sido de alta complexidade, com a vinda de um bebê prematuro, que irá precisar de cuidados rápidos, o que fazemos é deixar a criança confortável e aquecida, massageando-a um pouco e deixando-a bem perto da mãe. Podemos até esperar o cordão umbilical parar de pulsar para cortá-lo; e a amamentação pode ser feita em poucos minutos do nascimento do bebê”, finaliza o Dr. Mariano Tamura.

Publicado em fevereiro/2012

Fonte: www.einstein.com.br

 
 
 
 
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