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Cirurgia Bariátrica e Metabólica

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Sociedade: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Site: http://www.sbcb.org.br

Descrição: UM POUCO DE HISTÓRIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA

Em 1974 o pioneiro no Brasil, Salomão Chaib, da FMUSP divulgou os resultados de suas operações iniciais para tratamento de obesidade, utilizando derivações jejuno-ileais do tipo Payne, primeiro procedimento bariátrico a ser aplicado em grande escala internacionalmente. A magnitude das seqüelas dessas operações acarretou, não só seu abandono ao fim daquela década, mas também um grande descrédito na abordagem operatória dos grandes obesos. Nos Estados Unidos o fio da meada foi retomado sob a liderança de Edward Mason, que introduziu o conceito de restrição gástrica, passando pelo bypass gástrico, pela gastroplastia horizontal de Gómez e culminando com a gastroplastia vertical com anel de polipropileno, a qual dominou as preferências dos especialistas na década de 1980. No Hospital das Clínicas da FMUSP foi possível manter uma pequena chama acesa, seguindo as tendências internacionais da cirurgia bariátrica, tateando os caminhos entre as dificuldades, insucessos e algumas observações animadoras. A derivação bilio-pancreática de Scopinaro e principalmente o aprimoramento das derivações gástricas em Y de Roux na década de 1990 passaram a oferecer resultados mais consistentes em médio e longo prazo. A gastroplastia vertical com anel de Mason foi progressivamente substituída como abordagem de restrição puramente mecânica pelo emprego das bandas gástricas ajustáveis, logo adaptadas à via vídeolaparoscópica. As derivações bilio-pancreáticas ganharam a variante “duodenal switch” de Hess e Marceau, possivelmente menos antifisiológica. Na transição para o terceiro milênio, todas as técnicas em uso passam a ter sua execução possível por vídeolaparoscopia, que cada vez mais vai se firmando na preferência dos especialistas. Nos últimos anos técnicas novas estão sendo propostas para o tratamento da obesidade grave e também para doenças metabólicas mesmo na ausência de acúmulo tão acentuado de tecido gorduroso no organismo. O entendimento de novos mecanismos neuro-humorais dessas intervenções sobre o tubo digestivo tem estimulado as novas idéias, ainda em fase de comprovação clínica.

Desde os primeiros estudos e tentativas, um caminho de já mais de meio século, vem ensinando a cirurgiões, clínicos, nutricionistas, psicólogos e tantos outros profissionais da saúde que tratar cirurgicamente de obesos mórbidos é muito difícil e difere muito de meramente operar. Para se evitar complicações cirúrgicas imediatas e tardias e se obter resultados satisfatórios, são fundamentais não só o adestramento esmerado da equipe cirúrgica, mas um bom preparo pré-operatório e um acompanhamento eficiente em longo prazo. A participação de uma equipe multiprofissional é cada vez mais valorizada.

Na década de 1980, com o pequeno grupo de colegas que me acompanharam no Hospital das Clínicas da FMUSP e depois na clínica privada, não podíamos vislumbrar o desenvolvimento que o futuro reservava a cirurgia bariátrica. Buscávamos apenas acompanhar os esforços por métodos mais eficientes e seguros. As informações chegavam através de publicações não muito numerosas, nessa época em que no mundo todo cirurgiões que tratavam de obesos por métodos operatórios não eram bem vistos.

Em 1991 fiquei sabendo através de Thomas Szego que haveria um congresso em Dallas, nos Estados Unidos, dedicado exclusivamente a cirurgia da obesidade. Como praticamente único interessado no assunto em nosso meio, decidi comparecer. Era, para minha grande surpresa o 8º Congresso Anual da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica (ASBS), onde encontrei cerca de 200 cirurgiões bariátricos que me acolheram fraternalmente. A ASBS havia sido fundada em 1983 por Edward Mason e outros pioneiros e exercia um papel de aglutinação, estímulo e aprimoramento nesse ramo da cirurgia que se mostrava fascinante. Nunca mais perdi nenhum desses congressos anuais. O contato pessoal com figuras como Mervyn Deitel, Rafael Capella, Mathias Fobi, John Linner, Alberto Salinas, Rafael Alvarez Cordero, Nicola Scopinaro, Aniceto Baltazar, Mitiku Belachev e tantos outros expoentes, propiciou melhor compreensão do universo da cirurgia bariátrica e de seus desafios.

Em 1995 compareci ao 9º Simpósio Internacional de Cirurgia da Obesidade em Stocolmo, onde o grupo de cirurgiões dedicados à obesidade de vários países que costumava freqüentar os congressos da ASBS decidiu fundar uma Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade (IFSO) com o objetivo de estimular ao redor do mundo a boa prática da cirurgia bariátrica. Além da Sociedade Americana dedicada ao assunto, já existiam a Australiana e Neozelandesa, a Japonesa, a Italiana, a Mexicana, a Suíça e a Tcheca, que participaram como sociedades fundadoras da IFSO. Foi então marcado o 1º Congresso Mundial da IFSO a ser realizado em Praga em 1996. Lá, em assembléia os representantes das várias sociedades deveriam estabelecer os regulamentos e tomar decisões sobre a Federação. Mas nós não tínhamos uma sociedade brasileira da especialidade. Convenci-me da necessidade de criá-la.

Em 1996 iniciamos a criação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, com a participação de João Batista Marchesini, Fernando Luiz Barroso e Edmundo Machado Ferraz. O nome da entidade foi assim escolhido e eu fiquei funcionando como presidente, podendo assim ser representante perante a IFSO, o que fiz no primeiro congresso mundial em Praga.

Só em 1998 conseguimos realizar o 1º Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade, já com as propostas de estatuto da SBCB. Fomos 40 participantes, reunidos num pequeno auditório do Hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo.

I Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, São Paulo, 1998.

Os encontros seguintes dão idéia do crescimento da SBCB:

1999 - 2° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - São Paulo - 120 participantes.
Em maio de 2000 a SBCB publicou seu primeiro “Boletim de Cirurgia da Obesidade” com notícias e orientações aos interessados no assunto. As edições continuam hoje como “Boletim SBCBM”.

2000 - 3° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - São Paulo - 300 participantes.

2001 - 4° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - São Paulo - 500 participantes.

2002 - A SBCB sediou o VII Congresso Mundial da IFSO em São Paulo com 800 participantes, dos quais 300 estrangeiros.
Nessa ocasião foram lançadas duas publicações pioneiras no Brasil: “Cirurgia da Obesidade” - editor Arthur B. Garrido Jr; co-editores: Edmundo Machado Ferraz, Fernando Luiz Barroso, João Batista Marchesini, Thomas Szego. “Video Atlas of Obesity Surgery” - editor Thomas Szego; co-editores: Arthur B. Garrido Jr, Alexandre
A. Elias, Carlos José L. Mendes, Luiz Vicente Berti, Marcelo Roque de Oliveira.

2003 - 5º Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - Fortaleza - 670 participantes.

2004 - 6° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - Rio de Janeiro - 850 participantes.

2005 - 7° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Obesidade - Florianópolis - atingimos a marca de 1000 participantes, que tem se mantido como patamar básico de freqüência em nossos congressos nacionais.

Ainda em 2005, a SBCB organizou também o 1º Congresso Latino-americano da IFSO em Foz do Iguaçu, com 500 participantes, onde foram lançadas as bases do Capítulo Latino-americano da IFSO.

2006 - Na nossa Assembléia Ordinária durante o 8º Congresso em Salvador, decidiu-se ampliar o nome da entidade para Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) pela grande importância que passava a assumir a perspectiva de cirurgia metabólica como parte de nossas atividades. No ano seguinte nosso exemplo foi adotado pela IFSO, que passou a International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSOMD) e pela ASBS que passou a American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS).

2007 - Em junho foi publicado o primeiro número da revista “Bariátrica & Metabólica”, com artigos em português e espanhol, alguns com tradução em inglês.

Atualmente a SBCBM conta com cerca de 900 membros dos quais 325 titulares, 375 associados e 200 profissionais de especialidades associadas. Somos a segunda maior sociedade nacional de cirurgia bariátrica no mundo e temos ainda uma grande perspectiva pela frente.

Como conseguimos isso? Pela união em torno do interesse comum, dentro dos princípios da boa prática médica. Vamos continuar assim.

Arthur B. Garrido Jr.
 
 
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